"Filmes Apenas" é um blog bem pessoal onde catalogo alguns filmes que venho assistindo e que julgo serem bons. Os comentários que coloco não são técnicos, mas sim, apenas, uma primeira impressão de alguém com pouca experiência em cinema, mas que gosta muito de filmes. Como gosto muito de filosofia, os comentários tendem sempre a filosofar em cima das histórias apresentadas.
Mas, o blog também está aberto à críticas e sugestões.
George Kieling
Título em português: A Partida Título original: Okuritibo Titulo em inglês: Departures Diretor: Yojiro Takita Roteiro: Kundo Koyama Ano: 2008 País: Japão
Este é um daqueles filmes que vai crescendo aos poucos.
É cativante no início, com uma história bem simplória e uma atuação que chega a ser quase infantil, em meu ponto de vista; portanto, sente-se calmo na poltrona até a metade do filme. Então a história começa a crescer, os personagens começam a ganhar uma maior dimensão em seus aspectos psicológicos e tudo começa a se encaixar.
Não é uma grande produção, não tem grandes atuações mas tem um roteiro bem construído onde todas as pontas são fechadas até o final do filme, e uma história bela também.
A trilha sonora é bem colocada no filme, o que não o satura.
O filme aborda o ritual de "partida" para o além de uma comunidade local no Japão e sob este aspecto ele nos faz refletir sobre o quão importante é viver a vida plenamente e de que não somos tão pequenos assim frente a morte, pois quando ela acontece, para os que ficam... uma última visão do falecido poderá revelar tudo que se precisa saber sobre quem ele realmente foi.
Título em português: Orgulho e Preconceito Título original: Pride & Prejudice Titulo em inglês: Pride & Prejudice Diretor: Joe Wright Roteiro: Jane Austen (novel) Deborah Moggach (screenplay) Ano: 2005 País: França, Reino Unido
Sem dúvida que a temática deste filme, que vem de um cultuado clássico da literatura inglesa, é o universo feminino. Mas temos também um pequeno romance que se desenvolve entre os principais personagens.
É uma comédia romântica ao estilo antigo.
Apesar de boa produção e direção, o roteiro parece bem fraquinho e a história, piegas como em comédias românticas, mas, vale pelas questões filosóficas em torno de temas femininos: casamento sem amor, dote no casamento, heranças de família passada para homens, submissão feminina, o papel da mãe e do pai no casamento de seus filhos. Vale a pena dar uma olhada para entender como era problemático para os pais ter que casar suas filhas em épocas antigas. O homem sempre teve uma supremacia sobre o destino das mulheres, e parece que não mudou muito nos dias atuais, apesar de toda liberação feminina - que parece mais escravizar as mulheres em torno da beleza e sexo, para que se tornem objetos de consumo, esteriotipadas em padrões dificil de se alcançar, causando apenas mais frustações psicológicas do que prazer saudável.
Título em português: Moça com Brinco de Pérola. Título original: Girl With a Pearl Earring Titulo em inglês: Girl With a Pearl Earring Diretor: Peter Webber Roteiro: Tracy Chevalier (novel) Olivia Hetreed (screenplay) Ano: 2003 País: Inglaterra, Luxemburgo
Só por que você é pobre ou com pouca instrução, não quer dizer que não tenha um pequeno atributo que possa lhe dar certa vantagem na vida, pois todos nós temos, de certa forma, uma ou outra qualidade que nos permite tirar alguma vantagem sobre uma pessoa ou sobre uma situação.
Este filmes mostra bem este lado de uma sociedade com personagens em situações bem opostas de instrução e riqueza, mas cada qual se deixando influenciar ou influenciando uma outra pessoa ou grupo, com a finalidade de conseguir o que se quer:
O marido, a mulher, a sogra, o patrão, a empregada, o namorado: todos influenciando e se deixando influenciar, com seus dotes, para obter vantagens de situações, que de outra forma não conseguiriam, usando de pequenos truques, de força, de sedução.
Mas a atriz principal realmente é um show de interpretação, ao meu ver, pois ela consegue nos passar, numa situação muito sutil, uma leve sedução e poder e, num primeiro momento, temos a nítida impressão que o pintor tem um controle sobre o que faz; mas, sutilmente, vamos percebendo que esse controle não é dele realmente, e que ele sim é um completo marionete.
Em nosso mundo real, achamos que controlamos alguma coisa, mas são tantas as possibilidades de sermos controlados, que tudo não passa de uma utopia. Achamos que casando, controlaremos nossa familia, nosso cônjuge; achamos que lendo e nos informando, eviateremos de ser controlados; achamos que tendo dinheiro, teremos poder; que tendo poder, teremos influência; achamos tanta coisa.... e no fundo, não sabemos nada nem controlamos nada - estamos sob a influência desta complexa engrenagem, dominando e sendo dominados, apenas isso, e nada mais.
Título em português: O Livro das Revelações Título original: The Book of Revelation Titulo em inglês: The Book of Revelation Diretor: Ana Kokkinos Roteiro: Rupert Thomson (novel) Ana Kokkinos (screenplay) ... Ano: 2006 País: Austrália
Vamos e venhamos, este filme é ruizinho, mas eu o coloco aqui porque trás à luz de discussão, alguns tabus a respeito da sexualidade masculina.
Mas antes um pequeno comentário sobre a escolha de atores.
Não gosto de assistir a filmes com atores famosos, pois acho que eles tiram o brilho da direção e, assistir a um filme para mim, é como ler um livro: eu gosto mesmo é da história - só que contado em duas horas apenas; ator famoso não é questão de qualidade, mas uma questão de mídia, ou você acha que alguém ganha algum oscar de melhor ator porque realmente é bom ator? Oscar de melhor filme: acha mesmo por que o filme é bom? veja estes dois úlitmos filmes - alguém duvida que um oscar iria para outra produção que não para um filme de produção milionária ou um de grande comoção nacional (claro, para os EUA)? distribuição de oscar virou uma questão política dentro da industria hollywoodiana. Ator é o seguinte: se ele for bom, ele vai interpreter direitinho o seu papel e a história vai sair tal qual o diretor espera (o ator acaba se fundindo ao personagem, e você se ligará mais na história); mas se o ator for ruim, você irá perceber isso logo de cara e o filme acaba sendo comentado por sua produção e não por sua história.
Mas voltando ao filme:
Um bailarino famoso é raptado por três mulheres e violentado sexualmente em um período de 12 dias; retorna para sua vida com um disturbio de personalidade e tenta retornar a sua vida normal ao mesmo tempo em que procura desesperadamente encontrar suas algozes.
A direção do filme não é lá essas coisas, pois a história seria muito boa para ser explorada neste contexto desconhecido que é a sexualidade masculina, mas no entanto Ana Kokkinos se apega demais ao thriller erótico das cenas. O roteiro pareceu-me bem escrito, com cenas muito bem acabadas e com bom recursos de câmera, dando beleza artistica à história. Os atores... a única boa atuação foi a de Greta Scacchi (personagem que é a diretora da companhia de dança); o detetive, o dançarinho principal e sua amante: não convencem! E acho que esta atuação ruim acabou estragando muito o filme.
A questão do estupro masculino.
Não entendo muito como anda a média nacional, mas se você pegar 10 homens na rua, provavelmente os 10 gostariam de estar na situação do personagem, mas se você pegar 10 mulheres, provavelmente elas carregariam traumas para o resto da vida. Exceções à parte, pois hoje em dia as mulheres cada vez mais assumem atitudes masculinas, então até poderiamos ter alguns casinhos de mulheres "menos traumatizadas" assim, como também podemos ter o caso, como foi o do personagem, onde ele faz uso do livre arbítrio e diz: - contra a minha vontade, não!
"- contra a minha vontade, não!" - aqui entra a questão do estupro e até que ponto o sexo se torna prejudicial para o homem. Então, o legal do filme, é entrar neste mundo masculino que poucos conhecem.
- Masturbação. Homem se masturba, diz que não, às vezes faz isso para a parceira; mas jamais ele admite isso; mulher é mais fácil imaginar que assuma este lado, principalmente porque o homem, em seu instinto egoísta, muitas das vezes deixa ela na mão, o que acaba sendo um recurso necessário e satisfatório. Imagine ter que fazer isso para três pessoas que você não sabe quem são, pois estão encapuzadas - poderiam ser até serem pessoas conhecidas.
- Ereção: homem acha que bonito é estar ereto. Acho que grande maioria das mulheres não está preocupada com isso, pois percebem que o que realmente interessa é que o desejo que elas despertam nos homens, faz rapidinho aquela situação mudar, ou seja, no fundo mulheres se sentem poderosas controlando esta situação, e controlando o homem como um todo, de certa forma. Agora, imagina, três mulheres olhando para você, querendo que você "suba" e isso não acontece (medo, vergonha, libido zero), não ter ereção é uma das maiores preocupações do homem.
- Sodomização: homem não gosta muito de dar um abraço em outro homem, não gosta de conversar com "homosexuais" ou coisas do gênero e quase a totalidade não gosta que as mulheres toquem sua região anal. Imagine ser sodomizados (com aparelhos) por três mulheres, que poderiam até ser suas vizinhas!
- A questão social: um homem se considera um ser forte na natureza; sua potência sexual e virilidade são sua honra e orgulho, e no caso de um dançarino, sua condição atlética e desenvoltura o tornam a celebridade que o é. Como seria a vida de uma pessoa destas, olhando para a pletéia e sabendo que ali se encontram três mulheres que o viram rastejar pelo chão, urinar nas calças, sem estímulo sexual ou qualquer ereção e sodomizado? Será que ele conseguiria desempenhar no palco sua alta performance?
Bem, para finalizar, e ainda sobre a trama, há um detalhe muito importante que o filme não explica, mas que justifica tudo se você analizar sob este ângulo:
(se você não viu o filme e quer ainda assití-lo, não leia esta parte agora, mas somente após assití-lo para que você mesmo tire suas conclusões.
A coreógrafa, logo no comecinho do filme, não gosta do apelo sexual que o dançarino impõe ao ritmo da dança; parece existir este apelo, mas ele deve vir como resultado da emoção pretendida na cena, e não como apelo ao público. E quem estraga esta performance do bailarino é a sua amante.
No final do filme, quando o dançarino visita a coreógrafa, esta, então, em uma fase de doença grave, diz-lhe que foi escolhido por ela, e não o contrário, e que ele deveria voltar a dançar.
O ex-marido da coreógrafa é um detetive que investiga casos de abusos sexuais.
Os olhos da coreógrafa são enfatizados tanto quanto o são os das raptoras do bailarino.
Enfim, tudo leva a crer que a coreógrafa arquitetou este rapto para que o bailarino sentisse na pele, o que realmente seria "rastejar" na mão de mulheres, tanto que, ao final do filme, em uma apresentação, ela percebe que sua dança ficou bem melhor após o trauma sofrido. Talvez a vida ao lado do detetive que investiga abusos sexuais e a consciência de sua doença grave a tenha levado a tomar tal dicisão. Sob este aspecto, muito implícito por sinal, o filme parece até bem instigante.
Título em português: Arca Russa Título original: Russkiy Kovcheg Titulo em inglês: Russian Ark Diretor: Aleksandr Sokurov Roteiro: Boris Khaimsky (dialogue) Anatoli Nikiforov (written by) Ano: 2002 País: Rússia
A história deste filme é bem surreal e muito criativa por sinal. Um desconhecido qualquer, em companhia de outro desconhecido qualquer, passeiam por dentro do Museu "Hermitage", em São Petersburgo, na Rússia. Mas os personagens vão percorrendo salas e corredores em diversas épocas e acompanhando a História da Rússia - interagindo nas diversas épocas, em diversos figurinos e principalmente, acompanhando as obras de arte que se encontram no museu.
São tantas escultura e quadros durante o passeio, que ficamos completamente deslumbrados. Imagino-me depois deste filme, querer conhecer não apenas as Pirâmides do Egito e o Museu do Louvre, mas também, agora, o Museu de São Petesburgo.
Você poderá perceber nos links que postei aqui no blog a importância de alguma informação técnica de como este filme foi feito; não vou entrar em detalhes, pois não vem ao caso - para isto existe os links-, mas ele foi feito em um único plano de cãmera, numa única cena apenas e mais, foi todo filmado em apenas um dia; vale a pena ver os comentários e essa técnica toda, pois quando você assistir ao filme, ficará deslumbrado com os últimos minutos de filme, onde é retratado um baile de época, com figurinos impecáveis e, então, você irá fazer a mesma pergunta que eu me fiz: como pode todos aqueles personagens, com roupas sensacionais, encenando um baile gigantesco, não cometerem nenhum erro para uma filmagem que durou apenas um dia.
Interessante um ponto de vista, que nos questiona sobre o porquê de tanta luxúria para a nobreza, e claro, não valendo este questionamento apenas para história da Rússia.
Título em português: Jornada da Alma Título original: Prendimi L'Anima Titulo em inglês: The Soul Keeper (International: English title) Diretor: Roberto Faenza Roteiro: Gianni Arduini (writer) François Cohen-Séat (writer) Ano: 2003 País: Inglaterra, França e Itália
Um filme de excelente direção, que retrata muito bem a complexidade da psiquê humana. A história - baseada toda em fatos reais (cartas trocadas entre Sabina, Jung e Freud) - leva um dos personagens principais do filme, o Dr. Carl Jung, a tratar apaixonadamente uma jovem, Sabina, que tem parte de sua vida real retratada neste filme. Carl Jung está nos primórdios do estudo da psicanálise e seu envolvimento profissional acaba também em um envolvimento amoroso.
História, roteiro e direção são muito bem trabalhados - sem furo algum - que nos deliciamos com a trama e acompanhamos de perto o surgimento da psicanálise e um pouco da história da Rússia. Aliás, a trama aqui, é levemente semelhante ao "Quando Nietzsche Chorou".
Eu diria o seguinte, após assistir o filme: quando uma mestre ensina ao seu discípulo, ele aprende dobrado - aprender ensinando e ensinar a aprender. No consultório, algo semelhante ocorre: quando você trata seu paciente, você aprende um pouco mais sobre você mesmo, você também se trata - e posso falar um pouco disso, pois sou fisioterapeuta; e no filme, o que o jovem doutor trás à vida, do fundo de suas entranhas, é o amor que estava soterrado. Mas claro, o amor verdadeiro deve ser soterrado novamente, em função de uma vida equilibrada.
Título em português: Marco Zero Título original: Day Zero Titulo em inglês: Day Zero Diretor: Bryan Gunnar Cole Roteiro: Robert Malkani (writer) Ano: 2007 País: Estados Unidos
Este filme não tem uma boa direção e a escolha dos atores não foi acertada; mas a história contada é muito boa.
O filme conta a história de três amigos que se encontram para discutirem as suas convocações pelo exército para irem a guerra. Os três tem 30 dias para se prepararem. Na verdade, trata-se de 3 pontos de vista sobre a Guerra. Em um país acostumado a fazer guerras e invadir territórios alheios para "impôr liberdade e democracia", e ver, dentro de sua própria casa, sua liberdade ser cada vez mais cerceada com o falsa ideolgia que sua população deve se curvar frente a uma bandeira, devemos nos surpreender quando um diretor estadunidense vem realmente falar sobre guerra.
O personagem Dixon - de melhor desempenho - é francamente a favor da guerra para proteger a sua própria liberdade dentro do seu país ("acabe com os outros antes que acabem com você"); o Personagem George é fraquinho e sem expressão, e defende uma postura "que está guerra não é sua"; e o personagem Aaron é um doido que não sabe o que quer da vida.
Pena que o diretor não soube explorar melhor a relacionamento da doença da mulher de George, não soube resolver ou criar (roteiro fraco também) conflitos entre os três amigos. A trilha sonora do filme também merecia algo melhor, e o George poderia ter sido um ator melhorzinho.
"História" ... para quê ?
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Vamos fazer um simples exercício mental sobre a importância do Passado e
da História.
Todos nós já ouvimos falar que estudar História é importante, pois a...