quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Livro das Revelações

Título em português: O Livro das Revelações
Título original: The Book of Revelation
Titulo em inglês: The Book of Revelation
Diretor: Ana Kokkinos
Roteiro: Rupert Thomson (novel)
Ana Kokkinos (screenplay) ...
Ano: 2006
País: Austrália

index: 356

Links.

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt0424863/
Site:
wikipedia:
DVD: http://www.cineplayers.com/filme.php?id=3601
http://www.netmovies.com.br/filmes/o-livro-das-revelacoes.html
http://www.dvdpt.com/o/o_livro_da_revelacao.php
blog: http://cinedemais.blogspot.com/2009/05/o-livro-das-revelacoes.html
http://cinema.uol.com.br/resenha/o-livro-das-revelacoes-2006.jhtm
script:


Trailer:

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Comentários:

Vamos e venhamos, este filme é ruizinho, mas eu o coloco aqui porque trás à luz de discussão, alguns tabus a respeito da sexualidade masculina.

Mas antes um pequeno comentário sobre a escolha de atores.

Não gosto de assistir a filmes com atores famosos, pois acho que eles tiram o brilho da direção e, assistir a um filme para mim, é como ler um livro: eu gosto mesmo é da história - só que contado em duas horas apenas; ator famoso não é questão de qualidade, mas uma questão de mídia, ou você acha que alguém ganha algum oscar de melhor ator porque realmente é bom ator? Oscar de melhor filme: acha mesmo por que o filme é bom? veja estes dois úlitmos filmes - alguém duvida que um oscar iria para outra produção que não para um filme de produção milionária ou um de grande comoção nacional (claro, para os EUA)? distribuição de oscar virou uma questão política dentro da industria hollywoodiana.
Ator é o seguinte: se ele for bom, ele vai interpreter direitinho o seu papel e a história vai sair tal qual o diretor espera (o ator acaba se fundindo ao personagem, e você se ligará mais na história); mas se o ator for ruim, você irá perceber isso logo de cara e o filme acaba sendo comentado por sua produção e não por sua história.

Mas voltando ao filme:

Um bailarino famoso é raptado por três mulheres e violentado sexualmente em um período de 12 dias; retorna para sua vida com um disturbio de personalidade e tenta retornar a sua vida normal ao mesmo tempo em que procura desesperadamente encontrar suas algozes.

A direção do filme não é lá essas coisas, pois a história seria muito boa para ser explorada neste contexto desconhecido que é a sexualidade masculina, mas no entanto Ana Kokkinos se apega demais ao thriller erótico das cenas. O roteiro pareceu-me bem escrito, com cenas muito bem acabadas e com bom recursos de câmera, dando beleza artistica à história. Os atores... a única boa atuação foi a de Greta Scacchi (personagem que é a diretora da companhia de dança); o detetive, o dançarinho principal e sua amante: não convencem! E acho que esta atuação ruim acabou estragando muito o filme.

A questão do estupro masculino.

Não entendo muito como anda a média nacional, mas se você pegar 10 homens na rua, provavelmente os 10 gostariam de estar na situação do personagem, mas se você pegar 10 mulheres, provavelmente elas carregariam traumas para o resto da vida. Exceções à parte, pois hoje em dia as mulheres cada vez mais assumem atitudes masculinas, então até poderiamos ter alguns casinhos de mulheres "menos traumatizadas" assim, como também podemos ter o caso, como foi o do personagem, onde ele faz uso do livre arbítrio e diz: - contra a minha vontade, não!

"- contra a minha vontade, não!" - aqui entra a questão do estupro e até que ponto o sexo se torna prejudicial para o homem.
Então, o legal do filme, é entrar neste mundo masculino que poucos conhecem.

- Masturbação. Homem se masturba, diz que não, às vezes faz isso para a parceira; mas jamais ele admite isso; mulher é mais fácil imaginar que assuma este lado, principalmente porque o homem, em seu instinto egoísta, muitas das vezes deixa ela na mão, o que acaba sendo um recurso necessário e satisfatório. Imagine ter que fazer isso para três pessoas que você não sabe quem são, pois estão encapuzadas - poderiam ser até serem pessoas conhecidas.

- Ereção: homem acha que bonito é estar ereto. Acho que grande maioria das mulheres não está preocupada com isso, pois percebem que o que realmente interessa é que o desejo que elas despertam nos homens, faz rapidinho aquela situação mudar, ou seja, no fundo mulheres se sentem poderosas controlando esta situação, e controlando o homem como um todo, de certa forma. Agora, imagina, três mulheres olhando para você, querendo que você "suba" e isso não acontece (medo, vergonha, libido zero), não ter ereção é uma das maiores preocupações do homem.

- Sodomização: homem não gosta muito de dar um abraço em outro homem, não gosta de conversar com "homosexuais" ou coisas do gênero e quase a totalidade não gosta que as mulheres toquem sua região anal. Imagine ser sodomizados (com aparelhos) por três mulheres, que poderiam até ser suas vizinhas!

- A questão social: um homem se considera um ser forte na natureza; sua potência sexual e virilidade são sua honra e orgulho, e no caso de um dançarino, sua condição atlética e desenvoltura o tornam a celebridade que o é. Como seria a vida de uma pessoa destas, olhando para a pletéia e sabendo que ali se encontram três mulheres que o viram rastejar pelo chão, urinar nas calças, sem estímulo sexual ou qualquer ereção e sodomizado? Será que ele conseguiria desempenhar no palco sua alta performance?


Bem, para finalizar, e ainda sobre a trama, há um detalhe muito importante que o filme não explica, mas que justifica tudo se você analizar sob este ângulo:

(se você não viu o filme e quer ainda assití-lo, não leia esta parte agora, mas somente após assití-lo para que você mesmo tire suas conclusões.





A coreógrafa, logo no comecinho do filme, não gosta do apelo sexual que o dançarino impõe ao ritmo da dança; parece existir este apelo, mas ele deve vir como resultado da emoção pretendida na cena, e não como apelo ao público. E quem estraga esta performance do bailarino é a sua amante.

No final do filme, quando o dançarino visita a coreógrafa, esta, então, em uma fase de doença grave, diz-lhe que foi escolhido por ela, e não o contrário, e que ele deveria voltar a dançar.

O ex-marido da coreógrafa é um detetive que investiga casos de abusos sexuais.

Os olhos da coreógrafa são enfatizados tanto quanto o são os das raptoras do bailarino.

Enfim, tudo leva a crer que a coreógrafa arquitetou este rapto para que o bailarino sentisse na pele, o que realmente seria "rastejar" na mão de mulheres, tanto que, ao final do filme, em uma apresentação, ela percebe que sua dança ficou bem melhor após o trauma sofrido. Talvez a vida ao lado do detetive que investiga abusos sexuais e a consciência de sua doença grave a tenha levado a tomar tal dicisão. Sob este aspecto, muito implícito por sinal, o filme parece até bem instigante.

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Estou "contando" com sua visita.

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