"Filmes Apenas" é um blog bem pessoal onde catalogo alguns filmes que venho assistindo e que julgo serem bons. Os comentários que coloco não são técnicos, mas sim, apenas, uma primeira impressão de alguém com pouca experiência em cinema, mas que gosta muito de filmes. Como gosto muito de filosofia, os comentários tendem sempre a filosofar em cima das histórias apresentadas.
Mas, o blog também está aberto à críticas e sugestões.
George Kieling
Título em português: A Experiência Título original: Das Experiment Titulo em inglês: The Experiment Diretor: Oliver Hirschbiegel Roteiro: Mario Giordano (novel) Mario Giordano (screenplay) ... Ano: 2001 País: Alemanha
Poxa vida, depois de assistir a este outro filme alemão, fiquei pensando: O Brasil faz bons filmes sobre a violência nas favelas, porque, de certa forma, esta é a nossa realidade; será então que a Alemanha tem algo de semelhante quando faz filmes onde há uma população sob controle estatal? não...acho que é apenas coinscidência de alguns filmes que assisti: A Onda ; Corra Lola, Corra (já comentados aqui no blog) e este: A Experiência.
Este suspense é muito bom e tem uma leve semelhança com "O Senhor das Moscas" e "Ensaio sobre a Cegueira", ambos já comentados aqui no blog.
"Dê poder ao Homem e veja o que ele se torna"
Os personagens deste filmes são bem construídos, a trama bem desenvolvida e um bom roteiro. Gostei da atuação também dos personagens; enfim, um bom filme, que faz você pensar sobre a natureza humana.
Título em português: Brazil Título original: Brazil Titulo em inglês: 1984 and 1/2 Diretor: Terry Gilliam Roteiro: Terry Gilliam (screenplay) & Tom Stoppard (screenplay) ... Ano: 1985 País: Reino Unido
Uma bela sequencia de fotos do filme acompanhada da música tema:
Comentários:
Eu já tinha lido o livro de George Orwell, "1984", bem como já tinha visto também o filme "1984" que, inclusive está postado aqui no blog; então foi fácil fazer uma coparação e ver que a história é a mesma deste belo filme. Só que este filme é mais surreal, é mais mágico.
A trama conta a história de uma pessoa que vive numa sociedade do futuro perfeita, mas que no fundo é uma grande crítica ao sistema burocrático e travado e às facilidades que não são tão fáceis assim. Ao contrário do filme "1984", embora saibamos da manipulação do governo sobre os cidadão, aqui não há complô para isso. Na verdade, o que ocorre é o personagem gostar de viver um sonho de ser um humano e vivenciar a vida, dentro de um grande mundo maquinizado e desumano. fica a idéia de querer mudar o mundo, ou ... de não ficar inerte e passivo com tudo.
O filme é surreal, a fotografia do filme é fantástica; para quem é brasileiro, vale a trilha ao longo de todo o filme de "Aquarela do Brasil" na voz de Frank Sinatra. Mas na verdade, eu só fui entender este título quando assisti aos "extras" do DVD, e mesmo assim, não sei se entendi.
"Num mundo automatizado e desumano, viver a vida é ser brasileiro"
Título em português: Quatro Minutos Título original: Vier Minuten Titulo em inglês: Four Minutes Diretor: Chris Kraus Roteiro: Chris Kraus (writer) Ano: 2006 País: Alemanha
Um filme que realmente faz juz a todos prêmios que ganhou. Uma história forte, uma trilha sonora bem colocada e uma atuação impecável de Hannah Herzsprung na figura de uma jovem rebelde. A história coloca em parceria duas personagens nos extremos de suas idades, com histórias de vida muito parecidas de um passado triste e doloroso. Através de uma coisa em comum - a música - elas tentam cicatrizar suas duras feridas. Pode ser impressão minha - eu não diria preconceito -, mas acho que o jeito rude e sério da personagem de Monica Bleibtreu (Trade) acaba se explicando pelo final do filme.
Título em português: Mar Adentro Título original: Mar Adentro Titulo em inglês: The Sea Inside Diretor: Alejandro Amenábar Roteiro: Alejandro Amenábar (screenplay) and Mateo Gil (screenplay) Ano: 2004 País: Espanha
Excelente filme, com uma escolha perfeita dos atores e de direção impecável; não é à toa que ganhou tantos prêmios. A questão principal é discutir o direito à autenásia, pois após tantos anos como tetraplégico o protagonista principal do filme (Ramón Sampedro), cansou de viver. Não há traumas, nem remorsos, nem sofrimento, e ele está perfeitamente lúcido e convicto de suas pretensões, mas simplesmente ele quer partir. O roteiro do filme é tão bem construído, que você percebe até que ponto a vida de Ramón é entrelaçada à vida dos demais personagens. Há uma grande teia de relaciomentos que envolve todos os personagens e essa perspectiva de sofrimento que a tetraplegia de Ramón causa em todas estas vidas é que nos faz pensar muito nesta grande história. A grande contradição é que na verdade não sabemos o que é ou o que não é sofrimento, pois podemos ver que Ramón consegue contemplar a beleza da vida, seja por seus sonhos, pela sua escrita, nas suas "viagens fora do corpo" no amor dos que os cercam, na música, nas suas mulheres admiradoras, enfim, a vida é bela para Ramón.
- Poderíamos até imaginar que viver é algo que não dependenda necessariamente do corpo e que poderíamos tranquilamente viver uma vida mágica de ilusão, do que viver uma vida balizada por tantas referências materiais que apenas nos escravizam;
- uma outra questão que poderia ser levantada é a questão de que costumamos achar que a tragédia da vida humana é saber que a mortalidade é fato certo; mas talvez isso não seja necessariamente um mal; já pensou se fôssemos imortais? vendo pessoas que amamos sucumbindo ano após ano, não teríamos objetivos para viver: a morte dá forma à vida, e no caso do filme, Ramón estaria condenado à viver.
- ou então poderíamos tentar imaginar o que seria viver para Ramón; você acha que o que é viver para ele significa a mesma coisa para você? claro que não, pois viver para pessoas distintas tem significados distintos e está experiência é muito pessoal.
Enfim, o filme é muito inteligente, a história bastante reflexiva e o ponto chave aqui é a eutanásia, tanto é que foi colocada uma segunda protagonista na mesma condição (Júlia) mas cujo drama seria um pouco diferente.
Título em português: A Onda Título original: Die Welle Titulo em inglês: The Wave Diretor: Dennis Gansel Roteiro: Dennis Gansel (writer) Todd Strasser (novel) Ano: 2008 País: Alemanha
Este é um daqueles bons filmes que circulam incógnitos por aí. Sua produção não é grandiosa, não usa de grandes técnicas cinematográficas; mas isto também não é necessário, pois temos aqui uma boa história. Baseada em fatos reais e filmado na Alemanhã, a história nos permite deduzir que podemos ser conduzidos como vacas para dentro de um curral, pois numa sociedade sem qualquer referencial de indentidade, alguém que nos traga uma unidade, com certeza nos dominará, pois no fundo, somos todos carentes. Uma leitura acurada nos livros do George Orwell ("A Revolução dos Bichos" e "1984") permite que analisemos melhor a hitória contada, se bem que em "1984" a idenficação é mais fiel.
O roteiro aqui é bem construido com personagens que apresentam perfis bem caracaterísticos, embora, de personalidade moderada. Talvez, com personalidades mais fortes, o filme fosse mais intenso; por isso acho que a história e o questionamento que o diretor nos permite fazer - e este questionamento é evidenciado logo no começo do filme: "seria possível?" - se sobressai a tudo.
Acho que aqui também podemos pensar em termos da alegoria do "Mito da Caverna", de Platão, só que ao contrário: no mito da caverna, para você adiquirir o conhecimento você precisaria sair da caverna; aqui as pessoas, entram para a caverna e perdem o conhecimento do mundo real.
Segue abaixo um texto de um livro que estou lendo, "O Porco Filósofo", de Julian Baggini, que ajuda bastante a aprofundar o assunto (abra as imagens em outra página que as letras aumentão):
Você gosta de William Shakespeare? gosta de teatro? gosta de cinema de arte? gosta de coisa bonita? ... então, não deixe de assistir a este filme. Foi uma indicação de uma colega e como não tinha em locadora, acabei baixando da internet (Prospero´s Boooks). Mas logo no comecinho tive que parar, pois já percebi que seria um belo filme; então comprei e li o livro na íntegra; após, retornei ao filme.
Acho que William Shakespeare deu sua contribuição ao mundo; tem muitas obras - comédias e tragédias. Em todos os seus textos sempre tem muitas frases e expressões filosóficas que ganharam o mundo... e o tempo; quem não conhece alguma não é mesmo - "Conhecer ou não conhecer Shakespeare, eis a questão!" De qualquer forma, tenho lá minhas dúvidas, pois cada vez que leio uma obra dele, tenho a impressão de estar assistindo a uma novela da Globo - algo muito popular, com muita apelação, onde o rico se mistura com o pobre, o certo com o errado, e onde todo o desfecho fica para o final de uma forma muito rápida. Bem, não conheço muito o teatro e talvez seja assim mesmo que deva ser.
Encontrei-o finalmente na locadora e chama-se: A Última Tempestade.
O filme é fantástico e Peter Greenaway fez a transposição para a telona em um forma de nos causar um verdadeiro deleite aos olhos. A abertura é excelente: colorida, surreal, teatral, visual, musical, tudo de bom. Talvez a história da vingança de Próspero, que vem logo a seguir, seja uma pouco difícil de entender, pois fica meio que perdida entre tantos recursos visuais, por isso recomendo que leia o livro antes: A Tempestade, de William Shakespeare (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Tempest): você não irá se arrepender de ler o livro e após assistir ao filme.
Sobre a técnica que o diretor usou, achei bem interessante o que Érica V. Costa publicou em seu trabalho (http://www.letras.ufmg.br/site/publicacoes/coloqsemiotica.htm), que entre outras coisas, atentou para o fato dele ter se preocupado em colocar cada um dos 24 livros como sendo uma linha de trabalho dentro do período que conhecemos como Renascença.
Mas uma coisa me chamou a atenção: quando li A Tempestade, não pareceu que Shakespeare havia dado muita atenção aos "books" de Próspero, mas a atenção - penso eu - era voltada para a história de Prospero e de sua vingança. Acho que Greenaway deu uma nova roupagem para história.
Mas cá entre nós, A Tempestade foi o último trabalho de WS. Tive a impressão que Prospero era o próprio Shakespeare e aqueles livros eram suas peças, que ele carregava sempre consigo, já que me parece que os originais de WS não existem, não é isto mesmo? A quem era dirigida realmente aquela vingança? Uma obra amadurecida, cuja palavra final chama-se PERDÃO.
A música da abertura chama-se Prospero´s Magic, de Michael Nyman, que também tem a música de Miranda. Uau...aquela abertura ... ainda sonho com ela: é muito bela! não tem como descrever, só assistindo....
E para fechar, vai uma canja, o discurso de Prospero, na voz de Loreena, minha Deusa.
Loreena McKennitt - Prospero's speech
And now my charms are all o'erthrown, And what strength I have's mine own; Which is most faint; now t'is true, I must here be released by you,
Or sent to Napels. Let me not, Since I have my dukedom got And pardoned the deceiver, dwell In this bar island by your spell;
But release me from my bands With the help of your good hands. Gentle breath of yours my sails Must fill, or else my project fails,
Which was to please. Now I want Spirits to enforce, art to enchant; And my ending is despair, Unless I be relieved by prayer,
Which pierces so that it assaults Mercy itself and frees all faults. As you from your crimes would pardon'd be, Let your indulgence set me free.
Título em português: 1984 Título original: Nineteen Eighty-Four Titulo em inglês: Nineteen Eighty-Four Diretor: Michael Radford Roteiro: George Orwell (novel) Ralph Gilbert Bettison (writer) ... Ano: 1984 País: Grã-Bretanha
Muita gente fala que ler um livro é preferível ao filme. Isto é verdade? - Bem, acho que é meia-verdade. Já fiz isso várias vezes e nem sempre o resultado é um desastre. Vejamos...
Na leitura do livro Moby Dick, de Herman Melville, acabei cansando de tantas páginas - que sufoco! -, pois existem muitos desvios da história de vingança do capitão Ahab à baleia; são tantos aprofundamentos e desdobramentos, que a história toda acaba se tornando uma grande enciclopédia sobre caça de baleias; conclusão: sem muito tempo para ler o resto, acabei pegando o filme na locadora somente para conferir o final da história. E este não deixou a desejar, pois não se desviou tanto e embora mais pobre em detalhes, contou direitinho a história do capitão. Não vou comentar aqui no blog, pois não achei o filme grande coisa.
Mas existe um outro filme chamado Prospero´s Book, que é um interpretação teatral feita para o cinema do livro A Tempestade, de William Shakespeare. Baixei o filme da internet, pois não consegui em locadora e comecei a assistí-lo, mas quando vi que seria bom, parei. Comprei o livro e li-o totalmente. Achei uma linha de trabalho um tanto diferente dos outros livros de W.S. - talvez uma obra mais amadurecida - só sei que gostei. Então fui para o filme. Foi um espetáculo à parte, um deleite para os olhos; muito bem roteirizado e dirigido, com um surrealistmo fantástico, serviu como complemento ao livro. Quando encontrar em locadora, comentarei ele por aqui.
O filme Quando Nietzsche Chorou: simplesmente eu estava sem dinheiro para comprar o livro e se comprasse, não teria tempo para ler, logo, peguei o filme e assisti. Ótimo filme, valeu, e ao contrário que muito gente pensa, não é algo sobre filosofia, mas simplesmente um romance muito legal.
Mas vamos ao que realmente interessa: 1984; e foi aqui que realmente fiquei em dúvida.
O livro... tem uma história que é surreal: um lugar conhecido, mas que não é aquele lugar; uma época conhecida, mas que não é aquela época - coisa de escritor gênio, mesmo! Para quem leu Utopia, de Thomas More, torna-se evidente que a história é uma anti-utopia, tais como Matrix, Admirável Mundo Novo, Gattaca - a Experiência Genética, assuntos estes que só vamos entender se "sairmos da caverna", como diria Platão em sua República. Mas o livro é rico em detalhes e constrói muito bem o perfil de cada personagem, e mais do que isto, constrói com extrema precisão, o perfil da "ideologia" do Partido - é possível perceber com clareza as consequências psico-emocionais da influência do Partido e do Grande Irmão na cabeça de cada personagem do livro; também o que o partido faz com as comunicações, com a própria história e o que realmente o partido é. As idéias de Grande Irmão, Novilíngua, duplipensar (todos muito atuais por sinal), do eterno inimigo invisível (nosso Bin Laden, se é que ele existe) são muito bem claras e explicadas. E é neste quesito que o filme perde feio. Todas estas idéias e conceitos ficam muito vagas no filme: a ideologia, o perfil de cada personagem, o Partido. Fica-se com uma visão geral que o governo manipula você, e só!
Acho que fiquei tão impressionado com a atualidade do livro e nos seus graus de detalhamento do perfil psicológico dos personagens, que acabei detonando o filme.
Fiquei realmente na dúvida. Será que este filme é ruim? ...não sei...., mas se ele for bom, então acho que dou maior crédito à "V de Vingança", que apresenta uma história semelhante, só que com um perfil de persongens melhor construído.
Para refletir (eu tinha parado com as foto-montagens, mas tive uma recaída):
George Orwell estava errado sobre o Grande Irmão entrar em nossas casas em forma de um rosto a nos encarar em uma tela de TV:
Na verdade, o Grande Irmão vem de outra forma, e se você não gostar dele, você não será uma cidadão americano patriota. Então... você poderia ser um terrorista, possivelmente:
"História" ... para quê ?
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Vamos fazer um simples exercício mental sobre a importância do Passado e
da História.
Todos nós já ouvimos falar que estudar História é importante, pois a...